um garoto de mãos enormes, grandes,
muito grandes, lutava para pôr nos eixos a vida toda. ao contrário do que se
possa imaginar, suas mãos não eram fortes. eram imensas mãos de menino. fracas
como a de qualquer menino. imensas como as mãos de um deus. e o garoto, assim
como deus, queria pôr a vida nos eixos. como quem põe ordem nas coisas caóticas como uma trilha de
formigas, ou nas folhas em outono.
pois bem que, um dia, o garoto decide
que deveria cortar as próprias mãos. pôr no lugar mãos de robô, menores e mais
fortes. tirar de si os membros exagerados que cresceram à revelia do destino,
como a humanidade cresceu para deus, e , desta maneira, pôr fim às dores
causadas por imensas mãos que só sabiam ser enormes. mas eram frágeis, inábeis e fracas.
os pais, logo de início, fizeram gosto
na ideia, afinal, uma mão exageradamente grande não serve muito, “como vai usar
o teclado do computador?”, “ como vai segurar os talheres?”. as perguntar não
cansavam.
o garoto de mãos imensas foi, então, à
cirurgia. amputou de si os membros. o procedimento médico durou horas, e a
recuperação foi muitíssimo dolorosa. todavia, o garoto teve mão robôs adequadas,
em tamanho, à idade. mas a força era desproporcional. era demasiada. como as
mãos de um deus.
como as mãos de um deus.
ramoncagosto2014.
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