quarta-feira, 20 de agosto de 2014

um garoto de mãos enormes, grandes, muito grandes, lutava para pôr nos eixos a vida toda. ao contrário do que se possa imaginar, suas mãos não eram fortes. eram imensas mãos de menino. fracas como a de qualquer menino. imensas como as mãos de um deus. e o garoto, assim como deus, queria pôr a vida nos eixos. como quem põe ordem  nas coisas caóticas como uma trilha de formigas, ou nas folhas em outono.
pois bem que, um dia, o garoto decide que deveria cortar as próprias mãos. pôr no lugar mãos de robô, menores e mais fortes. tirar de si os membros exagerados que cresceram à revelia do destino, como a humanidade cresceu para deus, e , desta maneira, pôr fim às dores causadas por imensas mãos que só sabiam ser enormes.  mas eram frágeis, inábeis e fracas.
os pais, logo de início, fizeram gosto na ideia, afinal, uma mão exageradamente grande não serve muito, “como vai usar o teclado do computador?”, “ como vai segurar os talheres?”. as perguntar não cansavam.
o garoto de mãos imensas foi, então, à cirurgia. amputou de si os membros. o procedimento médico durou horas, e a recuperação foi muitíssimo dolorosa. todavia, o garoto teve mão robôs adequadas, em tamanho, à idade. mas a força era desproporcional. era demasiada. como as mãos de um deus.

como as mãos de um deus.
ramoncagosto2014.

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dr. em língua portuguesa disponível para falar do nada. às vezes, senti-lo. escrevo em minúsculas.