eu não sei fazer poemas sobre você.
eu só sei te olhar.
fala do Arthur.
domingo, 21 de junho de 2015
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Eu não nasci homem.
Eu
tinha pau e não era homem.
Eu
tinha pêlos e não era homem.
Eu
fui nomeado em masculino
Mas eu
não era homem.
Me
deram roupas que não eram masculinas, mas que eram chamadas de roupas para
homens
e
eu não era homem.
Cresci
e não era homem.
Nasceram
pêlos no meu buço e no meu pau e no meu cu
E não
era homem.
Eu
não era homem quando puseram um "o", artigo-definido-masculino, na
frente das coisas que se referiam a mim.
Mesmo assim eu não fui homem.
Eu
quis ser homem quando vi Teresa.
Vi
Teresa mulher... tão mulher, com seus pêlos, boca, odores...
Que
pensei: essa noite eu quero trepar com Teresa.
ramonschavesMaio2015
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Eros e o espelho.
Vi, certa feita, sua nuca suavemente
tocada por teus cabelos desgrenhados propositalmente. Não me disse nada. Sorriu
blasé. Um riso de quem beira uma adolescência irritante e uma maturidade
arrogante. Perfeição, notei, não era a sua.
-Oi.
Batom vermelho borrado pelo copo de
bebida com altíssimo teor alcoólico e gosto entre doce e amargo. O mundo, às
vezes, só se enfrenta quase bêbado. Quase chapado por um comprimido. Tem gente
que, às vezes, chapa de coca, mas não é drogado. Toma Viagra porque, se não, o
pau não dá sinal de vida. O desejo não é que o pau suba, é não perdê-lo frente
a um corpo de mulher.
Vi um corpo de mulher com batom
borrado pela bebida. Desejei. Não era uma transa, uma noite. Nem beijos. Era um
desejo erótico, no entanto. Como quem contempla os Nus de Modigliane. Não se
pode tocar. Não se pode ter um pau.
Eu falei inconstante. Ela nem ligou.
Pareceu que nem ligou. Tanto faz. Não era um riso que eu esperava. Era aquela
existência controversa e arrogante de quem te olha na linha de uma navalha. Não
te deixa, senão, a tensão. O se.
Foi por um quase que fizemos amor.
Entre outras tantas coisas, quando vi o meu desejo no espelho, você me mordia o
ombro.
ramoncabrilde2015
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Quem sou eu
- ramonc
- dr. em língua portuguesa disponível para falar do nada. às vezes, senti-lo. escrevo em minúsculas.
